terça-feira, 31 de julho de 2012

Vida nova!


Nasci em 31 de outubro de 1970, na cidade de Toledo-PR. Minha história não é diferente da dos demais irmãos e conta com o mesmo “processo” de dificuldades. Já tive bens materiais, casa, carro, dinheiro... Mas, no fim, os vícios não deixaram que eu progredisse. 


Estive em situações difíceis em que morei em pensões e, depois, na rua. Não conseguia controlar o dinheiro que ganhava. Acabava gastando tudo e não sobrava para o pernoite e nem para a alimentação.


Neste intervalo conheci os irmãos da pastoral de rua, e, também, as irmãs da Toca de Assis. Os conheci na Rua Delfino Cintra , em Campinas, São Paulo, há cinco anos. Lá, elas nos ajudavam com banho e outras higienes do corpo, além de nos dar comida...


Na verdade, eu frequentava outra religião (não quero expor o nome). Mas, eu observava a maneira que os irmãos tratavam as pessoas. Eu não tinha muita dificuldade para me locomover, por exemplo. Às vezes, podia até pagar pelo meu banho e fazer isso sozinho. Mas, os irmãos com limitações locomotivas eram acolhidos pelos “toqueiros” na pastoral de rua. 


Os toqueiros iam onde estavam os pobres e cortavam os seus cabelos, faziam a barba, às vezes levavam uma coberta, roupas... Enfim, ajudavam a todos também com palavras amigas e com a melhor Palavra, que é a do Reino do Céus. 


Isso diminuía nosso sofrimento (meu e dos demais irmãos de rua). “SÓ POR HOJE” (lema diário) não estou fazendo uso de entorpecentes e espero, assim,  melhorar cada vez mais.


No mais, procuro viver o meu dia na presença de Deus e também poder contribuir com este trabalho que tem ajudado a diminuir o sofrimento de vários irmãozinhos por esse mundo afora.
Agradeço a Deus e a toda a Toca!


Testemunho do acolhido Adilson Henrique, que já foi da Casa Mãe e hoje está na Missão de  Vinhedo.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O amor de Deus não vê limites


Faremos uma breve apresentação de um grande tesouro que o Senhor nos concedeu: Regina Aparecida Félix. Hoje, ela se encontra impossibilitada de dar o seu testemunho. Por isso, falaremos por ela, já que somos membros de sua “família”.


Regina foi acolhida em uma das nossas casas de São Paulo, em 2005. Ela veio encaminhada de um hospital, sem documentos ou contatos e foi transferida para a chácara Santa Maria dos Anjos (em Cotia), em 2006. Ela possui um diagnóstico de atrofia cerebral, ou seja, o seu cérebro vai aos poucos perdendo as suas atividades. 


Quando ela chegou aqui, em Cotia, apresentava certa dificuldade para andar, falava pouco e com muita dificuldade. Conseguia exercer algumas ações (como alimentação e higiene), precisando apenas de alguns auxílios. Devido à grande dificuldade na fala, sabemos pouca coisa sobre ela, nada da sua história de vida antes de estar conosco.


Mas isso não nos impediu de amá-la. Ao contrário, ao olharmos para ela na sua debilidade e solidão, nosso coração é impulsionado a ir ao encontro de suas necessidades (físicas e espirituais). 


A sua história conosco começou a ser traçada em 2005. Esse tipo de situação, para nós, é muito comum. Temos vários irmãos e irmãs acolhidos em nosso Instituto, que possuem problemas de amnésia e até distúrbios neurológicos ou psiquiátricos. Aos poucos vamos conquistando a sua confiança e conhecendo a sua história, até fazermos parte dela.  E, em especial, lhe devolvendo a sua própria história, a sua própria vida. Buscando assim, uma volta para o convívio familiar, a inserção na sociedade ou uma nova história em uma nova família (Toca de Assis ou outra instituição).


Mesmo com o amparo médico que nos foi fornecido pelo Cotolengo (“família” dos Orionitas ), com neurologista, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, o que já era previsto aconteceu. Aos poucos, Regina foi perdendo os controles motores. Hoje, ela se encontra em um quadro de total dependência. No caso dela, a inserção não foi possível (em virtude à da falta de informação, e do seu estado de saúde).


Ela é presença do próprio Jesus!


Estando Ele nu, nós buscamos o que vestí-lo. Estando Ele com fome, nós lhe damos alimentos... Sempre temos a preocupação e o desejo de não deixa-la sozinha. Porém, será necessário realizarmos a transferência da Regina para outra casa do nosso Instituto ou até mesmo para outra instituição. Essa transferência visa,  em primeiro lugar, criar condições para que ela receba um tratamento mais específico (já que a missão de Cotia é uma casa de noviciado). Estamos buscando um novo lar para ela. Contudo, uma vez ique nossas vidas foram entrelaçadas, é impossível que o desvencilhamento ocorra por completo.